As ondas vêm e vão. São força, são vida, são grandeza, mas vêm, e vão. Formam-se, viajam, e viajam e vêm rebentar na areia. Incontáveis ondas, desde sempre, para sempre, que vêm e se vão, levadas pela maré, como se jamais tivessem existido. Mas algumas, pela sua grandeza, ou força, que nos maravilham, fazem-nos desejar que fiquem, que nunca rebentem, e se vão. Mas vão na mesma, porque as ondas vêm, e vão. E quando se vão, não deixam vestígio da sua presença, a não ser o sentimento e a admiração que ficou dentro de nós. Vêm, e vão. Todas voltam ao mar, de onde vieram. Não rebentam e deixam de existir, porque as ondas, que vêm e vão, são água. Quando vão, apenas mudam de forma. A força e grandeza transformam-se em calma, em brandura, como as águas que reflectem o pôr-do-sol. São assim as ondas, vêm, e vão. E assim somos nós também, como as ondas, viemos e vamos. Mesmo que não queiramos. Deixamos a memória, o sentimento dentro de nós, e a força torna-se paz. Pois somos como ondas. Que vêm, e vão. Sabemos que como viemos, também teremos de ir. Mas também sabemos que nos voltaremos a ver...
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